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Diante da crescente e exponencial inovação tecnológica, empresas passam a ter interesse em comprar informação genética humana. A Nebula, contudo, quer mantê-lo dono de seu próprio DNA monetizado.

Criado por Manuel Beltrán, o projeto artístico e filosófico Institute of Human Obsolescence foi um trabalho acadêmico que ganhou maiores proporções na mídia ao começar a ser entendido como uma startup em vez de uma espécie de performance que, no entanto, se propõe a pensar novos modelos de remuneração e de futuro do trabalho.

Na semana passada, tive a oportunidade de conversar com Manuel, que me explicou melhor o conceito por trás de seu projeto e de como essa confusão com um negócio real estava sendo feita. Apesar de ter contratado pessoas de forma regulamentada, o Institute of Human Obsolescence surgiu mais como uma narrativa artística que visualiza outras maneiras de manter o ser humano relevante diante da constante e exponencial inovação tecnológica, bem como subvertendo a maneira como entendemos nosso próprio corpo como um bem sagrado.

Se, por um lado, o Instituto propõe o pagamento pela doação de calor humano a ser convertido em eletricidade para a mineração de criptomoedas, a empresa Nebula Genomics foi criada pelo geneticista George Church como uma maneira de remunerar indivíduos que desejem compartilhar seus dados genéticos. Em reportagem no site Technology Review, conhecemos mais sobre essa iniciativa que conta com o apoio de Mirza Cifric, CEO da Veritas Genetics, uma empresa que oferece um serviço de sequenciamento genético por US$999.

Hoje já é possível de se ter acesso ao próprio código genético ao pagar por serviços que fazem um teste de DNA, como é o caso de exemplos como 23andMe, Helix ou Ancestry.com. Com o consentimento dos clientes, essas empresas vendem para terceiros os dados genéticos levantados, enquanto que a Nebula pretende manter a propriedade dessas informações ao indivíduo, de modo que este possa vender seu código genético por conta própria, assim sendo remunerados a partir de uma plataforma baseada em blockchain.

white paper lançado na semana passada aponta para o interesse de a empresa em realizar esse projeto como uma forma de dar suporte à inovação nas áreas farmacêuticas e de biotecnologia. Hoje, empresas desse ramo acabam comprando esse tipo de informação de instituições acadêmicas ou de empresas como a 23andMe, o que muitas vezes acaba custando milhões de dólares.

Por esse motivo, a Nebula pretende eliminar o intermediário nessa transação para que as próprias empresas que desenvolvem remédios possam ter acesso a esses dados genômicos de maneira mais rápida e barata. “A ideia é que qualquer pessoa não esteja apenas monetizando seus dados genéticos. Nós também vamos proporcionar insights, de forma similar ao que a 23andMe e o Ancestry.com fazem”, comenta Obbad, um dos co-fundadores da Nebula.

Mas apesar de essa informação ser disponibilizada para o acesso das empresas de biotecnologia e fármacos, estas não terão domínio sobre o material, e sim poderão “emprestá-lo”. Devido às características do blockchain, será possível manter o anonimato dos proprietários daquela informação genética, enquanto que os compradores deverão ser totalmente transparentes no ato da compra, que será assegurada a partir de contratos inteligentes.

Contudo, a Nebula ainda não comentou sobre qual seria o valor de sua ICO (inicial coin offering). No momento, a empresa tem como objetivo reduzir o preço do sequenciamento genético para algo menor que US$1.000 ao trabalhar junto de empresas de biotecnologia e fármacos, que irão subsidiar boa parte desses custos. É previsto também que já nos próximos meses a plataforma já esteja aberta para novos usuários.

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