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Relatório de tendências lançado pela Adobe revela que 2018 será um ano focado em imagens que transmitam paz e solidão.

Em parceria com a WGSN, a Adobe lançou no começo deste ano uma primeira parte de um relatório de tendências imagéticas que inclui como um dos focos a busca pelo Silêncio e Solidão. De acordo com Brenda Milis, diretora de serviços criativos e tendências visuais da Adobe, essa crescente busca por imagens que transmitam conforto e regeneração, um retorno à natureza e um reforço do minimalismo vêm como uma resposta a uma época de excesso de informações, mas também de conflitos intelectuais.

“Os espectadores estão respondendo a imagens que oferecem descanso — essas imagens operam como um sopro fresco ao observador. Elas apresentam um refúgio para um momento tão exigente e confuso.”

Alguns desses elementos de perturbação foram listados por Brenda, a começar pelo barulho. Conforme apontado pelo crítico de arquitetura do New York Times, Michael Kimmelman, se o cheiro era o elemento de distúrbio nas cidades da Idade Média, hoje nossa praga é o barulho. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, há grandes números de pessoas que são submetidas a níveis nada saudáveis de barulho todos os dias, e isso impacta em diferentes aspectos de nossa saúde: desde a qualidade do sono até a saúde cardiovascular e nossa performance no trabalho e nos estudos.

Fora isso, nossos ciclos de 24 horas de informação, política e distrações digitais apontam para uma rotina, como levantado por um estudo, na qual gastamos 5 horas por dia em dispositivos móveis, e mais de 10 horas por dia consumindo informação por meio de telas. A soma dessas horas, como ressalta Brenda, é muito maior do que o tempo que realmente reservamos para o sono.

Diante disso, é a busca pelo descanso e pela reconexão que faz com que designers tentem achar soluções como fones de ouvido que cancelam barulho para serem usados nos escritórios, ou mesmo soluções arquitetônicas e de mobiliário que são especialmente criadas para lidar com o problema do barulho nos ambientes de trabalho. Esse cenário é tão agravante que, como citado por Brenda, um estudochegou a constatar que temos apenas 11 minutos de concentração antes de sermos interrompidos em nosso trabalho. “Combine isso com o fato de que demoramos cerca de 25 minutos para retornar à nossa tarefa original depois de uma interrupção, e você pode ver como um oásis de silêncio pode significar tudo para produtividade.”

Outras soluções menos tecnológicas vêm junto a práticas como reservar uma hora de silêncio no escritório, como proposto em uma agência de design baseada em Melbourne, na Austrália. De acordo com análise feita pela empresa, seus times passaram a ficar 23% mais produtivos e significantemente menos estressados desde que iniciaram o programa. Isso se repercutiu na possibilidade de terem a tarde de sexta-feira liberada justamente por conta da maior eficiência conquistada com a implementação da rotina de silêncio.

Mas para além do escritório, a sensação de silêncio vai muito além da ideia de uma “ausência de ruídos”. Em alguns casos, agências de turismo têm oferecido pacotes que oferecem experiências tranquilas e silenciosas. Ainda, a exposição parisiense Maison et Objet demonstra peças de decoração, de vasos até mobília, que são criados para a formação de espaços de silêncio. Também o design atua em uma outra forma de visualização, como é o caso do aplicativo criado pela startup Watermelon Sugar, que possibilita os usuários de visualizar a si mesmos como monstrinhos conforme consomem mais e mais informação digital.

Nesse sentido, a busca por espaços de silêncio e solidão podem tanto partir de exposições, como a recente obra de Doug Wheeler no museu Guggenheim, até approaches mais simples, como a obra fotográfica de Sander van der Werf. Durante uma viagem pela Lapônia sueca, o fotógrafo enfrentou temperaturas baixas e condições adversas, mas ao mesmo tempo também encontrou paisagens belas e a oportunidade de fazer fotografias durante à noite que revelam a simplicidade e o desprendimento do artista.

O mesmo vale para o trabalho de Julia Nimke que, a partir de uma residência criativa junto a Adobe, tem viajado para lugares remotos para recuperar o imaginário de antigas histórias folclóricas europeias.

“Eu sempre fui interessada no remoto e estar totalmente sozinha em um lugar. Encontrar pessoas para entrevistar e fotografar sem a necessidade de internet me faz manter um ritmo de trabalho mais lento. Isso me força a gastar mais tempo na área, de modo a conhecer as pessoas ao vivo.”

Apesar de a fotógrafa achar que, por vezes, pode ser difícil se sentir solitária, há sempre aquela sensação de paz que chega posteriormente. “Sinto como se fosse mais importante do que nunca fugir do universo do consumo excessivo e me rodear de pequenas coisas e do máximo de natureza, ou qualquer coisa que se queira.”

Veja também a galeria criada pela Adobe para essa tendência.


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