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Capaz de emular a aparência e o comportamento de qualquer pessoa, o modelo Robo C lançado pela Promobot diz muito sobre o momento atual do país em relação à robótica e ao transhumanismo

No começo desse ano, fomos surpreendidos por uma empresa russa chamada Promobot que promoveu seu androide realista Alex como âncora de um jornal local. Àquela época, as pessoas ficaram pelo menos surpresas senão assustadas com a presença do androide falando sobre legislação de microfinanças, os resultados da agricultura em 2018 ou ainda o fórum de tecnologia nuclear em Sochi.

Alex foi assim nomeado por se tratar de uma cópia robótica do fundador da Promobot, Alexei Yuzhakov. Programado para responder perguntas e manter uma conversa a partir dos dados inseridos em sua inteligência artificial, o androide ainda contava com 29 motores em sua face de silicone, assim sendo capaz de emular expressões faciais. Com a perspectiva de escalar a produção e venda dos androides realistas, a empresa agora oferece uma nova versão do robô com dezoito pontos de movimentação no rosto, mais de 100.000 módulos de conversa, três ângulos de movimento da cabeça e integração com diferentes serviços, por exemplo com aplicações de casa inteligente.

Mas essa não foi a primeira vez que os russos se aproximaram de uma possível revolução robótica em seu país. Antes, o mesmo canal Russia-24 em que o androide apresentou um jornal também havia noticiado um suposto robô super avançado capaz de dançar, mas tratava-se de um homem fantasiado. Em outros segmentos, como a tecnologia militar, há também projetos usando robótica como é o caso do androide motociclista apresentado ao presidente Vladimir Putin em 2015. Com essa mesma inspiração, também há o exemplo dos tanques robóticos equipados com metralhadoras.

Por outro lado, também a ficção científica russa se mostrou dedicada ao tema dos androides com o lançamento da série “Better than Us” no Netflix. Trazendo referências clássicas como Isaac Asimov e suas leis da robótica, o seriado retrata uma Rússia futurista na qual uma grande empresa vendedora de androides recebe um novo modelo chinês de ginoide programada para servir como esposa e mãe. Se outrora a ficção científica russa estava mais dedicada à exploração especial e à figura do cosmonauta, hoje ela encontra congruência com a ficção científica ocidental, enfim provando a força da influência globalizante.

Já no press release publicado pela Promobot no dia 1 de outubro, Yuzhakov comentou sobre possibilidades do produto:

“Todos poderão comprar um robô com qualquer aparência — para uso profissional ou pessoal. Assim, nós abrimos um grande mercado de serviços, educação e entretenimento. Imagine uma réplica do Michael Jordan vendendo uniformes de basquete e William Shakespeare lendo seus próprios textos em um museu? Nós podemos criar um modelo linguístico baseado em frases populares de alguma pessoa em particular e o robô irá se comunicar e responder a perguntas analisando frequentes expressões da referência original usando um certo contexto de conhecimento dessa pessoa.”

De modo a tornar a interação com o androide ainda mais realista, a empresa também incluiu uma nova funcionalidade de reconhecimento facial, porém os braços e torso continuam sem movimentação. No caso do modelo para uso profissional, há ainda uma tela acoplada no peito da máquina. De acordo com o site do produto, há pelo menos quatro funcionalidades já previstas para o androide: um consultor que pode agir como um funcionário vivo e responder perguntas em lojas, shoppings, museus e exposições, ou um funcionário em escritório, no qual o robô pode receber pessoas, comunicar com outros colaboradores e dar as últimas notícias. Por fim, há ainda a possibilidade de o Robo C ser um administrador capaz de fornecer acesso, agendar salas de reunião e gravar o conteúdo discutido, bem como um tipo de decoração para a casa ou cópia de uma pessoa em específico.

Isso vai ao encontro do projeto também baseado na Rússia 2045 Initiative, no qual uma das primeiras fases diz respeito à possibilidade de se criar um robô humanoide que seria cópia do indivíduo e o qual poderia ser controlado via interface cérebro-máquina. Enquanto as duas tecnologias já existem e já foram testadas em conjunto com o exemplo do Geminoid de Hiroshi Ishiguro, o fato de agora ter um produto local e com possibilidade de comercialização torna a tangibilização dessa tendência ainda mais forte.

Assim como no episódio “Be Right Back” do seriado Black Mirror, vemos esse tipo de empreitada sair da ficção científica para se tornar uma realidade tangível tanto do ponto de vista do transhumanismo e extensão da vida quanto da própria possibilidade de tornar robôs entes que participam do nosso convívio social e de nosso mundo, como já propõe criações como a robô Sophia. Basta saber a quais finalidades e a quais pessoas esses produtos estarão disponíveis a princípio, o que pode decidir muitas coisas importantes como próximos passos nesse cenário homem-máquina.

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