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Em busca de autenticidade e liberdade de expressão, adolescentes estão criando contas falsas no Instagram, nas quais se sentem à vontade para publicar fotos não posadas e editadas.

Sinônimo de Fake Instagram, os Finstagrams são segundas contas criadas pela geração Z para que apenas um grupo seleto de amigos tenha acesso. Segundo relatório da Vidcon Europa 2018, a Geração Z tem 40% a mais de chances de possuir uma conta assim, se comparada aos Millennials. Elas têm como premissa fugir da lógica de “o melhor de mim” que seguem os perfis “reais” para se tornar algo mais autêntico e íntimo.

A existência desses perfis demonstra o posicionamento dessa geração mais nova e o desagrado ao aspecto plástico e falsificado que as redes sociais ganharam — em parte por conta do fenômeno dos influenciadores digitais e da lógica do marketing de influência. Levando em conta que todos possuem defeitos e nem todas as fotos podem sair bonitas, os perfis de Finstagram são geralmente criados por meninas adolescentes que compartilham fotos e vídeos engraçados ou vergonhosos que jamais publicariam no seu perfil original ou oficial.

Essa é a reflexão trazida pelo site Digital Trends ao comentar que é provável que a inundação de pessoas de alto poder aquisitivo esbanjando fotos de alta qualidade e altamente posadas, combinada aos posts patrocinados, fizeram com que as redes sociais se tornassem algo opressivo em especial para garotas adolescentes.

Ao questionar uma garota de 18 anos como funcionava sua rotina de publicação de fotos no Instagram, por exemplo, ela comenta que há etapas como editar a foto, certificar-se que mais ninguém do seu ciclo de amizades irá postar a mesma imagem, mandá-la para suas amigas aprovarem, pensar numa legenda interessante e, então, postar a foto e torcer para que ela tenha a maior quantidade de likes. “É insano, mas é o que as garotas fazem”, comenta.

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Adolescentes estão criando perfis alternativos para postar fotos que fujam da estética das redes sociais como uma forma de ter mais autenticidade e expressão.

Por outro lado, uma outra garota também com 18 anos comentou que, em seu Finstagram, ela posta fotos com sua irmã mais nova, imagens de lagartos e outras coisas que elas jamais postariam em seus perfis originais. Isso vai ao encontro da tendência por uma maior aceitação e neutralidade do corpo, especialmente o feminino (body positivity e body neutrality).

Essa geração, que só se engaja com aqueles influenciadores e pessoas que têm uma mensagem positiva e inclusiva a passar, como apontado do relatório da Vidcom Europa 2018, está impulsionando essa mudança de paradigmas que já se tornou alvo de interesse das marcas em suas campanhas. Ainda, casos como os influenciadores virtuais vêem tanto como uma certa falácia ao serem, muitas vezes, comandados por empresas com interesses estritamente econômicos, como também sugerem uma crítica à lógica do marketing de influência.

Isto é, influencers virtuais como Lil Miquela e Shudu Gram são personagens criadas em computação gráfica e não possuem defeitos: foram criadas para serem belas e sempre perfeitas em suas fotos. Ao mesmo tempo em que elas reproduzem certas lógicas de postagem, poses e conteúdos já reforçados pelo próprio mercado de marketing de influência, elas também surgem como uma crítica ou mesmo uma paródia dessa estratégia falsa e que, por outro lado, pode acabar como “um tiro no pé” no caso de ações de marketing mal direcionadas a um influenciador que não possui o perfil da campanha.

Fora isso, como revela o relatório da VIDCOM Europa, para essa geração, as mídias sociais são um lifestyle e não só entretenimento. Para conversar com eles, é necessário falar a língua deles e também apoiar as suas identidades. Por terem influenciadores como referência para tomada de decisões, é importante que estes estejam alinhados a lutas que fazem sentido para essa geração: essa audiência busca diversidade, o fim das fake news e da cultura hater e do burnout digital.

No entanto, de maneira controversa, essa geração também considera o número de seguidores um elemento extremamente importante, assim como o número de pessoas que mantém em seu convívio social e offline, como aponta o relatório Think it with Google.

Mais acostumadas a usar a internet pelo celular, é natural que acabem usando as redes sociais imagéticas como uma forma de expressar essa sua individualidade mediada. Mas, justamente, por serem críticos e sedentos por transparência, não só eles buscam fugir dessa lógica mecanizada dos influencers criando perfis falsos como também se engajam mais com os microinfluenciadores por serem mais assertivos e sinceros ao agirem em seu nicho específico.

A pergunta que fica, portanto, é até quando será necessário criar perfis falsos para poder se expressar com honestidade e abertura? Se depender dessa geração, é possível que logo normalizemos e transformemos a lógica das redes sociais, assim como projetos como o #ActisNormal, que se utiliza do Instagram para publicar imagens que contemplam e normalizam as imperfeições do corpo humano.

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