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O evento contou com a participação de artistas e pesquisadores, futuristas e representantes de empresas como a Vevo e Deezer para discutir como o governo pode atuar em um plano de inovação no âmbito cultural

Neste último sábado, 9 de dezembro, a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo realizou o evento Futuro na Cultura, que teve como objetivo reunir profissionais de diferentes setores da cultura para discutir como inovar e construir um melhor futuro no cenário cultural brasileiro. “Reunir e aproximar inteligências em torno do tema ‘O Futuro na Cultura’ é uma das formas de aproximar todos os cidadãos da gestão cultural paulista, que é pluralista em relação a todas as formas de fazer e interpretar cultura”, reforçou José Luiz Penna, atual secretário da cultura do estado.

O evento começou logo pela manhã, com o debate “Voo breve até o futuro da cultura”, do qual participei junto a Peter Kronstrøm, head do Copenhagen Institute for Future Studies Latin America e fundador da Future Lounge, que contou ainda com o apoio de Flávio Ferrari, especialista em comunicação e inovação associado ao instituto dinamarquês. Como moderador, o jornalista e redator-chefe de jornalismo do SBT, Rodrigo Hornhardt, levantou algumas perguntas e pautas sobre o impacto da tecnologia nas nossas vidas, o que fez com que trouxéssemos uma reflexão fomentada também pelo público ao comentar sobre como as novas tecnologias não só facilitam a vida e modificam nossos hábitos.

Em sua breve participação durante a parte da manhã, o secretário da cultura José Luiz Penna reforçou a importância de um espaço de discussão como aquele ter sido aberto ainda mais nas dependências da Secretaria, o que comprova um cenário diferente do qual ele, quando nos anos 1960 e como ator, enfrentava um momento de repressão e de intolerância que hoje recebe a contrapartida do diálogo e da diversidade como uma melhor forma de representar as várias manifestações culturais presentes em cada região do Brasil.

Intervenção urbana feita pelo Coletivo Coletores.

Em seguida, na parte da tarde, o debate “Cooperação, Compartilhamento, novas formas de organizações sociais na produção de cultura” contou com a participação de André Deak, coordenador do Liquid Media Lab, jornalista e professor da ESPM, do artista visual e criador do Mundo Pensante Paulo Papaleo e Toni William, membro do Coletivo Coletores, um grupo que trabalha intervenções urbanas a partir de tecnologias como projeção de vídeo e videomapping, divulgando a visão artística da periferia para toda a cidade.

Como moderador, o também curador do evento Sergio Melo, que atua como diretor de inovação da ABRESI e membro da ON2C, deu espaço para que os participantes comentassem um pouco sobre seus empreendimentos culturais, no que Deak revelou o lançamento de um recente projeto de mapeamento de manifestações culturais na cidade de São Paulo, o site Mapas Afetivos. Como dica de leitura, os palestrantes lembraram da obra Cidades Rebeldes, uma coletânea de artigos que trata tanto de manifestações como o Occupy em Nova York quanto as passeatas ocorridas em São Paulo, Londres, Johannesburg e em várias outras grandes cidades ao redor do mundo.

Na sequência, Fatima Pissarra, diretora geral da Vevo Brasil e da Music2, iniciou uma conversa sobre a distribuição da cultura no âmbito musical junto de Kim Jackson, diretor da Entourage, uma empresa especializada em música eletrônica e que tem como objetivo gerenciar esses artistas e conectá-los com o público, eventos e marcas.

Com moderação de Camila Hornhardt, a mesa girou em torno principalmente dos modelos de streaming de música e de acesso ao conteúdo, tendo em vista a questão do apoio e divulgação do artista, desde os movimentos mais orgânicos como foi é o exemplo de Pabllo Vittar que, segundo Pissarra, nunca pagou por mídia, e de outros hits como a música Despacito que, em contrapartida, conquistou sua popularidade a partir de um pesado investimento. Para os dois, apesar de ainda ser possível que bandas e artistas cheguem a um patamar de popularidade como os exemplos levantados pela dupla, ainda assim o investimento em mídia é importante para um maior alcance.

Já em “Novíssimas Tecnologias”, Fabio Hofnik, diretor executivo da Hyper Immersive e criador do Hyper Virtual Reality Festival, apresentou-se junto de Cleber Paradela, vice-presidente da Sunset e professor da Miami Ad School, que trouxe o tema da inteligência artificial para debate. Como uma continuação do debate anterior, a mesa “Distribuição da Cultura 2” trouxe o especialista em blockchain Courtney Guimarães, Henrique Leite da Deezer e Marina Aydar, cantora e CEO da Brisa Sons e Ideias, uma produtora de sons formada por artistas da música. Como participação especial, também Paulo Perez, um dos fundadores da Paratii, uma plataforma descentralizada de distribuição de vídeos e baseada em blockchain, apresentou o trailer de lançamento do documentário Around the Block, que conta com seis episódios que apresentam depoimentos dos profissionais que estão atuando na área.


Já o penúltimo debate contou com a participação de Bruno Assami, diretor executivo da Unibes Cultural, Ricardo Resende do Museu Bispo do Rosário e Fundação Marcos Amaro, Fábio Seixas (co-fundador do Panda Criativo e criador do Festival Path), bem como Demian Grull da plataforma Atraves\\ para discutir o tema “Hubs e Redes como pontes para a construção da inovação e do futuro na cultura”.

Para fechar o evento, a última mesa contou com a participação de Romildo Campelllo, secretário adjunto da cultura do estado de São Paulo, para propor uma conclusão diante dos temas debatidos e como isso pode ser aplicado na gestão pública. Uma das saídas trazidas pelo evento foi o desenvolvimento de um aplicativo feito em parceria com a Tim e que contou com uma hackaton de cultura que começou já na sexta-feira e apresentou seus resultados ao final do evento de sábado.

Nos intervalos entre os debates, também artistas fizeram performances, como a Corpos Cibernéticos, da Alma Negrô, bem como a atriz e contadora de histórias Manoela Pamplona que interpretou o conto Uma Fábula sobre a Fábula, de Malba Tahan, heterônimo de Júlio César de Mello e Sousa.

Trazendo uma inspiração da cultura árabe, a história trata da criação da mulher e como esta, ao exercer diferentes papeis, é também vista de modo diferente pelos que estão no poder — do ponto de vista de uma sociedade patriarcal, os homens. Quando vestida de Verdade, é negada sua entrada no palácio do sultão Haroun Al-Raschid. Quando vestida de Acusação, também sua presença causa medo. Porém, quando exuberante e vestida de Fábula, ela então foi bem recebida. “E foi desse modo que a Verdade, vestida de Fábula, conseguiu aparecer ao poderoso Califa de Bagdá, Haroun Al-Raschid, o mais famoso sultão de todos os tempos.”

Com uma forte e emotiva interpretação do conto, Manoela nos trouxe nas entrelinhas a importância da fábula, isto é, da cultura, como uma maneira de inserir a verdade em um universo tão ríspido e temeroso como os das instituições de poder de forma metalinguística, já que sua mensagem não foi dita como Verdade, mas sim como cultura, como performance artística.

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