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De Skol a Não é Não: como grandes marcas e projetos inovadores estão se preparando para tornar o carnaval mais seguro para as mulheres.

O ano passado foi decisivo para algumas grandes marcas e projetos que se dedicaram à reinvenção de seus propósitos. Um dos exemplos mais populares foi a Skol, que deixou de fomentar uma identidade de campanhas publicitárias focadas na objetificação da mulher como representação da cerveja para, na realidade, se redimir de uma longa trajetória de discurso machista com projetos como o que foi lançado no Dia Internacional das Mulheres, 8 de março.

A marca convidou ilustradoras para repensar e recriar os cartazes que a Skol outrora criava, com mulheres loiras em biquíni servindo como uma metáfora humana da “Loira Gelada”. Mas essa não foi a única causa à qual a marca se dedicou: a homofobia também foi endereçada para além das propagandas e cartazes, conforme a Skol apoiou financeiramente a Casa1, uma república que acolhe jovens LGBT expulsos de casa.


Esse ano, com o carnaval se aproximando, a Skol convidou a vlogger Jout Jout para dar dicas bem humoradas de como se comportar durante uma das maiores festividades do país. A influenciadora, que se tornou uma inspiração para se repensar questões de opressão e preconceito, especialmente contra as mulheres, vem como uma voz de apoio à criação de um ambiente mais seguro para as mulheres durante este carnaval. Também na televisão, novos comerciais mostram como a empresa tem defendido esse discurso de forma bem humorada e leve.

Fora do circuito mainstream, no entanto, projetos pequenos, mas muito significativos, como o “Não é Não”, provam que esse tipo de iniciativa não depende da visibilidade e do orçamento de grandes marcas como a Skol, como se manifestam nos pequenos grupos de grande amplitude e autenticidade. Em reportagem para o site Hysteria, uma plataforma de conteúdo criado por mulheres e para mulheres, ficamos conhecendo a campanha que nasceu já no ano passado, quando cerca de 40 mulheres reunidas em um grupo de Whatsapp conseguiram arrecadar R$3 mil para a confecção de 4 mil tatuagens que foram distribuídas nos blocos de rua cariocas, tanto aqueles previstos pela prefeitura quanto os “secretos” (mas nem tanto).

Julia Parucker, Luka Borges, Aisha Jacob e Fernanda Barbosa, as idealizadoras da campanha “Não é Não”.


Coladas nos ombros, nas mãos, braços e colo, a mensagem “Não é Não” foi para além das festividades de 2017. Em uma nova campanha de captação feita na internet, o projeto já arrecadou mais de R$20 mil para a produção de 20 mil decalques a serem distribuídos, dessa vez, em seis cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Olinda. Em entrevista para o Hysteria, uma das idealizadoras do projeto, a cineasta Julia Parucker, comentou sobre como o corpo da mulher, no carnaval, tem um grande poder de manifestação: ao mesmo tempo que ele acaba sendo vítima do assédio, ele também é um chamariz para passar uma mensagem de tamanha potência como a que vem sendo comunicada pelo projeto. “Alguns homens não sabem lidar com todo o clima de liberdade que existe no carnaval, são educados numa sociedade machista, que coloca a mulher a serviço do homem, e acreditam que a liberdade da mulher está relacionada a eles”, ela complementa.

Nesse primeiro momento, o projeto continuará focado na distribuição das tatuagens apenas para as mulheres, já que estas são as protagonistas, mas que o apoio masculino também não será dispensado. “Quando temos várias ‘tatuadas’, cria-se uma espécie de rede de segurança, em que uma mulher olha para a outra, vê o ‘Não é Não’ e logo se sabe protegida. A tatuagem cria essa identificação de uma forma muito explícita, clara, gravada na pele.”

Em tempos nos quais startups criam aplicativos que têm como objetivo gerar um “token” de consentimento sexual, são tecnologias simples como essa que demonstram uma maior potência em fornecer ambientes seguros e de identificação entre mulheres em vez de se pensar relações humanas a partir de contratos.


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