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Raya Bidshahri fala sobre como, apesar de nossa ansiedade, muitas profissões associadas à criatividade e multidisciplinaridade ganharão ainda mais força em um cenário de desenvolvimento tecnológico a ser aliado ao desenvolvimento pessoal e humano.

Estamos em um momento da cultura no qual é muito mais fácil de se imaginar futuros distópicos e de cair em uma crise de ansiedade diante da crescente automação do que manter um pensamento positivo sobre o nosso futuro como espécie e como trabalhadores. Em um outro momento, discutimos aqui com o futuro do trabalho talvez esteja mais relacionado a uma ressignificação do trabalho em si, porém outros olhares como o de Raya Bidshahri para o site Futurism apontam para outras oportunidades ainda mais tangíveis, de setores que continuarão relevantes por ainda um bom tempo.

Enquanto 45% dos serviços que prestamos como trabalhadores são possíveis de serem automatizados usando a tecnologia já disponível atualmente, também há o outro lado no qual novas tecnologias irão demandar mais funcionários especializados em carreiras que sequer existem hoje — e isso extrapola as estatísticas de automação. Por outro lado, Bidshahri defende que ainda temos um longo caminho para realmente ter nosso trabalho imaginativo e criativo definitivamente automatizado ou substituído pelo poder de processamento das máquinas.

Se hoje a inteligência artificial já é capaz de reconhecer padrões e criar novos objetos a partir desse resultado, como é o exemplo do Next Rembrandt, a criatividade humana para a criação de experiências em realidade virtual, design de órgãos e de roupas confeccionadas em impressão 3D são algumas das oportunidades que se manterão favoráveis.

E o que todas essas profissões e demais demonstram como relevância nesse cenário é a sua capacidade multidisciplinar, uma característica que as próximas gerações poderão desenvolver com a ajuda de novos métodos de ensino como é o STEAM, isto é, uma proposta educacional ao aprendizado que usa ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemáticas como pontos de acesso para guiar o questionamento, diálogo e pensamento crítico entre os estudantes. Os resultados finais são estudantes que tomam decisões (e riscos) bem fundamentos e calculados, participam de propostas experienciais de ensino, persistem na resolução de problemas, abraçam a colaboração e trabalham através de processos criativos. Essa é a promessa na formação dos próximos inovadores, educadores, líderes e estudantes ainda neste século.

Ainda, os estudos em neurociência, bioengenharia e “aprimoramentos humanos” são outras áreas que só demonstram cada vez mais oportunidades e desafios a serem enfrentados por profissionais. Se em dezembro tivemos uma amostra das possibilidades (ainda que distópicas) que se abrem a partir do desenvolvimento tecnológico dessas disciplinas na ficção do seriado Black Mirror, a chegada de Altered Carbon neste fevereiro reforça a importância da discussão sobre a consciência, a interação e a conjunção corpórea entre homem e máquina, bem como aquilo que, afinal, nos define como seres humanos.

Com o anúncio de Elon Musk sobre seu novo projeto Neuralink ainda no ano passado, vemos um novo caminho a ser seguido no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina, enquanto outros approaches mais próximos das ciências biológicas e médicas também visam um aprimoramento de nossas capacidades a partir de tratamentos e engenharia genética, talvez até mesmo nos apontando para uma vida estendida até os 150 anos ou mais, como almeja o gerontologista britânico Aubrey DeGrey.

Diante disso, são as questões éticas, filosóficas e políticas que também ganham relevância (senão urgência) para que saibamos separar o joio do trigo, isto é, aquilo que é possível de se realizar com a tecnologia daquilo que é moralmente aceitável. Com a novidade de que cientistas chineses conseguiram clonar um macaco, é a possibilidade de clonagem humana que também se aproxima no horizonte das ideias e, com ela, também a discussão sobre quão ético isso seria e quais as consequências sociais, psicológicas, políticas e filosóficas tal empreitada traz consigo.

Do ponto de vista mais prático, também é a legislação em torno da inteligência artificial e robótica que passam a pensar se máquinas passariam a ser consideradas cidadãs ou então como legislar sobre chatbots e demais algoritmos usados para a tomada de decisões, por exemplo. É por isso que Bidshahri trata da emergência de profissões como consultores de aprimoramentos cognitivos, eticista especializado em modificações genéticas, detetive digital, guardião de privacidade, legislador especializado em tecnologia, entre outros.

Por fim, são também os profissionais focados no planejamento e desenvolvimento de um futuro mais sustentável, seja do ponto de vista dos recursos materiais ou das relações humanas, que vêm como um grande potencial para se pensar e para se propiciar uma vida e uma sociedade mais justa e proveitosa quando, em 2030, chegarmos a uma população de 8.5 bilhões.

Como defende Bidshahri, o objetivo é criarmos uma sociedade na qual o trabalho é motivado pela paixão, criatividade e o desejo de contribuir pelo futuro da nossa espécie: “É excitante que muitos desses trabalhos previstos para o futuro se alinham com esse objetivo. Afinal, o propósito do ‘trabalho’ deve ser contribuir para o contínuo progresso pessoal ou humano, seja ele tecnológico, intelectual ou criativo.”

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