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Yannick Hara conta mais sobre suas influências da cultura pop e da ficção científica em seu novo álbum “O Caçador de Androides”. Mais do que uma homenagem à franquia, ela serve de referência para uma análise da contemporaneidade.

Com previsão de lançamento em novembro, o novo álbum do rapper Yannick Hara “O Caçador de Androides” tem como inspiração principal a franquia Blade Runner, que consiste no livro Androides sonham com ovelhas elétricas?(1968) e nos longas Blade Runner (1982) e Blade Runner 2049 (2017). Segundo o artista, a relevância da obra é imensa, especialmente no momento em que vivemos. “Pode ser que não seja na mesma fotografia do filme, mas o que é ser humano hoje? Será que já não somos nós os replicantes?”, ele questiona.

Depois de ter lançado o disco “Também Conhecido como Afro Samurai” em 2016, o qual foi baseado no mangá de Takashi Okazaki (1999), Yannick retoma suas referências da cultura pop a partir dos filmes de Ridley Scott e Denis Villeneuve, bem como no romance de Philip K. Dick. Filho de pai negro e mãe japonesa, o artista mescla a cultura oriental com a ocidental, fundindo o universo dos mangás e do anime com o hip hop. A novidade agora, porém, é a ficção científica cyberpunk.

“No disco O Caçador de Androides, retrato justamente o significado do conceito cyberpunk. Vivemos sob uma alta tecnologia, mas com baixa qualidade de vida. Pagamos muito por um iPhone e continuamos almoçando e jantando miojo ou ‘fast food’. As pessoas se perderam dentro dos aplicativos, o amor está no ‘like’”, reforça o rapper que, aliás, traz essas mesmas considerações na faixa que leva o nome do disco e que já conta com um clipe lançado no YouTube.

Ao estabelecer uma conexão entre as metáforas da ficção científica e o contexto nacional, Yannick considera aos bancos e o governo brasileiro muito semelhantes à ideia de corporação representada pelos personagens Dr. Eldon Tyron e Niander Wallace. “Eles promovem a salvação à procura da ideal mão de obra escrava, mas nesse caso nós somos os replicantes escravizados, totalmente alienados, comandados pelo mercado, pela política e pela tecnologia”, ele argumenta.

Levando em consideração a dificuldade de gêneros como a ficção científica se desenvolverem no Brasil, porém também a identificação das pessoas com o hip hop, Yannick acredita que é através da arte, no caso sua música, que uma mensagem fica eternamente registrada: “Hoje as pessoas podem não entender, mas um dia elas entenderão. Basta elas se identificarem, tomarem consciência que a ficção é ficção por um tempo, mas ela se torna realidade um dia.”

Em “O Caçador de Androides”, Yannick tem como objetivo deixar a mensagem de que estamos vivendo em um momento crítico da humanidade. Para o artista, o entretenimento não irá nos salvar, bem como também não podemos confiar nas corporações, no governo ou na tecnologia: “Somos nós mesmos.” Sempre buscando evolução em seu trabalho artístico, Yannick entende que essa mesma luta também está em paralelo com seu desenvolvimento pessoal. “Todos os dias eu luto contra mim mesmo, sempre buscando ser melhor agora e pelas próximas 24 horas.”

Com participação do ator Vertin Moura (Big Jato e 3%) e do poeta Rafael Carnevalli, o clipe da música-título do álbum conta com uma releitura brasileira e especialmente paulistana do mundo imaginado por Dick, mas estilizado nas telas do cinema por Ridley Scott. Yannick faz questão de plantar elementos que dialogam diretamente com a visualidade e o estilo dos longas de Scott e Villeneuve, seja em sua atuação no vídeo, no figurino ou na edição.

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