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Novo artigo publicado por pesquisadores da Microsoft, Stanford e Columbia University discutem a importância de se pensar a produção de dados como uma forma de trabalho e não como uma moeda de troca.

Nas origens da internet, um dos lemas entre hackers e entusiastas da tecnologia era de que a informação deve ser livre (Information wants to be free), isto é, gratuita, porém foi justamente essa vontade e intenção que fez surgir o que Jaron Lanier, chefe de tecnologia da Microsoft, chama de “siren servers” (servidores sereia): entidades que encontraram uma maneira de lucrar em cima desse ambiente “gratuito” e fazê-lo crescer de forma inimaginável. O efeito colateral desse tipo de empreitada, por outro lado, é o que os economistas chamam de “monopsony” dos compradores de dados. Em outras palavras, trata-se de um cenário em que há uma inversão do sistema de monopólio, no qual há poucos compradores que possuem grande parte do poder de mercado — neste caso, um mercado de dados.

No artigo “Should We Treat Data as Labor?”, Imanol Arrieta Ibarra, Leonard Goff, Diego Jiménez Hernández, Jaron Lanier e E. Glen Weyl tratam da questão de como os dados são o novo petróleo da economia mundial e de como isso se tornou, na verdade, um problema — visto os escândalos em torno de como o Facebook distribui os dados coletados pelos usuários, bem como outros casos de tecnologias que são supostamente “gratuitas”, mas que coletam dados para serem revendidos a anunciantes e demais empresas interessadas. Para os autores, enquanto os dados forem tratados como um território livre para ser explorado pelas empresas de tecnologia, há uma ausência de poder de barganha que destitui uma maneira significativa de negociar pagamentos pelos dados produzidos por esses usuários, bem como os deixa à mercê de invasão de privacidade. É por isso que os autores, então, sugerem a transformação do sentido de produção de dados como um trabalho em vez de um capital.

“Nós defendemos que pensar dados como trabalho em vez de capital é muito mais do que um jogo de palavras, uma distinção sem diferença. É importante que nós, como sociedade, pensemos e conversemos sobre dados gerados por usuários como um input para a produção, assim como tratamos o trabalho de maneira diferente do capital. Há um certo senso de respeito e significado que vem do nosso trabalho, e trabalhadores respondem a incentivos para trabalhar mais duro e produzir serviços e produtos com maior qualidade. Nós defendemos que tratar os retornos por dados como retornos por capital não só aumenta a desigualdade, como também limita os ganhos em produtividade diante da revolução da inteligência artificial.”

Isto é, diante de um cenário do futuro do trabalho no qual a inteligência artificial e a robótica irá tomar muitos dos postos de trabalho hoje ocupados por humanos, o desemprego será uma consequência para essas pessoas que deixarão de produzir riqueza tanto para o país quanto para si mesmas. Com a situação atual, na qual dados são tratados como uma moeda de troca para termos acesso a plataformas e serviços de maneira gratuita, isso não será sustentável à medida que robôs passarem a trabalhar por nós.

Desse modo, assim como a proposta da renda básica universão propõe uma redistribuição das riquezas produzidas pela mão de obra robótica, há também a proposta de se criar uma renda básica que redistribua a riqueza gerada pela manipulação e revenda desses dados produzidos e coletados pelos usuários ou, quem sabe, trabalhos que se baseiem na produção de dados de forma que taggear seu amigo em uma foto ou publicar uma selfie em uma rede social não seja mais simplesmente algo para seus amigos e familiares curtirem, mas que esses conteúdos sejam recompensados, por exemplo, em um sistema baseado em blockchain.

Essa é uma ideia que o artista e ativista Manuel Beltrán vem defendendo há alguns anos com suas instalações e projetos artísticos como o Institute of Human Obsolescence ou mesmo o Data Production Labour (2017), do qual falamos já em um post anterior. Para os autores do artigo “Should we treat data as labor?”, porém, há ainda vários desdobramentos que não aparecem no material publicado pelo grupo, mas já existe esse movimento em se pensar criticamente a situação e de achar alternativas para um futuro no qual a inteligência artificial e a robótica terão papel importante e provavelmente decisório no futuro do trabalho e da humanidade.

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