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Continuando em uma sequência de textos sobre rostos digitalizados, na semana passada, a página Tech in Asia apontou para uma nova tendência na China: pagamentos feitos com reconhecimento facial. A tecnologia é basicamente a mesma usada pelos aplicativos de maquiagem virtual ou pelos filtros do Snapchat, mas para além do entretenimento, ela também pode servir como uma forma mais segura de validar processos como transações financeiras ou então em procedimentos de confirmação, como é o caso do selfie check-in já implementado no Brasil pela companhia aérea Gol.

Na China, o reconhecimento facial se tornou uma nova funcionalidade nos totens de autoatendimento dos restaurantes KFC. Semelhantes aos dispositivos já usados pelo McDonald’s (e que só chegaram no Brasil em julho), os totens agora oferecem o método de pagamento por reconhecimento facial associado ao aplicativo de carteira digital Alipay. Mas nem isso é tão novidade para os chineses, já que hoje o país conta com mais de 600 milhões de usuários ativos no WeChat, rede social que não só reúne usuários para conversações, mas também permite compras de bens de consumo e pagamento de taxas como contas de eletricidade ou multas de trânsito, assim como também é possível agendar um médico por meio do aplicativo, por exemplo.

Aeroporto Changi, em Singapura

Já em Singapura, o selfie check-in implementado pela Gol em seu aplicativo fará parte de totens instalados nos aeroportos, a começar pelo Changi, considerado o melhor aeroporto do mundo pelos últimos cinco anos. Além de implantar esses novos totens de autoatendimento, pelos quais os passageiros também poderão despachar suas malas automaticamente, o aeroporto instalará uma tela de LED com 70 metros de largura para transmitir mensagens de boas-vindas — sim, ao estilo Westworld!

Enquanto isso, iniciativas como a garota digital Saya ou mesmo a empresa Soul Machines têm apostado na criação de “humanos digitais” extremamente realistas e que serão capazes de interagir de forma mais natural e fluida, inclusive reconhecendo expressões faciais. De um ponto de vista especulativo, seria este o próximo passo do autoatendimento? Um humano digital hiperrealista e dedicado a entender o humor e as necessidades dos clientes a partir de uma leitura facial, tal qual na Grécia Antiga, quando filósofos como Aristóteles estudavam feições humanas como indicativos de doenças ou de sintomas do espírito — isto é, como exemplo, narizes largos eram vistos como um indicativo de preguiça.

Mas qual é a base dessa correlação? Outros pesquisadores têm desenvolvido programas que seriam capazes de identificar a partir do rosto se uma pessoa é homossexual ou não. De acordo com a pesquisa, a nova inteligência artificial já foi capaz de obter uma taxa de acertos de 91%. E como isso se une ao pagamento e certificação por reconhecimento facial? É fácil cair numa visão distópica ao estilo Black Mirror, especialmente se passarmos a viver com base em uma economia do social, como visto no episódio Nosedive. Também na China, já se estuda a possibilidade de usar o ranqueamento social dos cidadãos como forma de oferecer benefícios ou restrições ao acesso de serviços como empréstimos ou bolsas universitárias.

Porém, se quisermos ser mais otimistas, talvez possamos pensar como o reconhecimento facial pode oferecer serviços e produtos a partir do nosso humor do dia, por exemplo. A nova tendência mapeada pela empresa JWT Intelligence é o “mood food”, isto é, alimentos que podem melhorar tanto o humor de uma pessoa quanto melhorar sua imunidade ou problemas de inchaço, por exemplo. O insight partiu de uma pesquisa feita pela Monarch Airlines em parceria com o professor Charles Spence, um psicólogo experimental que colaborou com o restaurante The Fat Duck para criar um menu especial para o transporte áereo, mas as possibilidades de aplicação do “mood food” são tão vastas quanto a variedade de restaurantes e culinárias hoje espalhadas pelo mundo.

Talvez, algum dia, poderemos usar um totem de autoatendimento que entenderá que hoje, nesta segunda-feira pós-feriado prolongado, nos sentimos um pouco deprimidos, indispostos para recomeçar a rotina… então por que não optar por uma dieta mediterrânea, anti-inflamatória, com muitos vegetais, peixe, azeite e grãos para fazer com que o dia se torne melhor e a vida fique mais fácil? Não vejo a hora.

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